Portal O Dia

Planejamento financeiro é chave para começar 2026 longe das dívidas

O começo do ano costuma ser um período delicado para o orçamento de muitas famílias. Matrícula e material escolar, impostos como IPTU e IPVA, além das despesas acumuladas no fim do ano, fazem com que as contas cheguem quase todas de uma vez. Sem planejamento, o resultado pode ser entrar no novo ano já endividado, o que compromete os meses seguintes e transforma pequenas dívidas em uma verdadeira bola de neve.

Para evitar esse cenário, o planejamento financeiro é essencial, embora nem sempre fácil de manter. Essa organização, no entanto, já faz parte da rotina do jornalista e aposentado Luiz Carlos Oliveira (67), que conseguiu construir estabilidade financeira ao longo dos anos. Segundo ele, conhecer os próprios gastos é o primeiro passo para não extrapolar o orçamento.

Eu tento fazer um planejamento de quanto eu ganho e quanto posso gastar. Sempre organizo as despesas fixas, como água, luz, transporte e supermercado

Luiz Carlos Oliveirajornalista e aposentado

No supermercado, Luiz Carlos adota estratégias simples, mas eficientes. “Faço uma lista do que realmente preciso comprar e levo só o essencial. Isso evita gastar com coisas desnecessárias”, afirma. Ele também aproveita os dias de promoção e utiliza aplicativos das redes de supermercados para comparar preços.

“Sem falar das vantagens do cartão fidelidade. Em alguns mercados, só por ter o cartão já ganho desconto, e pagando com o cartão de crédito da loja o valor cai ainda mais”, relata.

Outra regra que ele segue à risca é guardar parte da renda mensal. “Depois de pagar as despesas básicas, tento reservar de 30% a 40% do que ganho. O que sobra, coloco na poupança como reserva de emergência. Venho fazendo isso há anos e sempre consigo manter uma segurança financeira”, diz.

Pexels
Planejamento financeiro é chave para começar 2026 longe das dívidas

Luiz Carlos evita compras por impulso e prioriza pagamentos à vista. “Se tenho desconto pagando à vista, prefiro não parcelar. Antecipar prestações, como a do carro, também gera economia”, comenta. Ele conta que entrou em 2026 apenas com gastos já planejados e dentro do orçamento.

A principal dica do aposentado é simples, mas eficaz: “Coloque todas as contas no papel e evite gastos desnecessários. Pequenas escolhas, como comer mais em casa ou limitar saídas, fazem muita diferença no fim do mês”.

Conhecendo sua realidade através de um levantamento das despesas

O início de um novo ano costuma trazer desafios financeiros para muitas famílias. Entre gastos com festas de fim de ano, uso do 13º salário e compras feitas sem planejamento, não é raro que janeiro chegue acompanhado de dívidas e aperto no orçamento. Para evitar que esse cenário se prolongue ao longo de 2026, organização e planejamento financeiro são fundamentais.

O economista Dorgilan Cruz explica que o primeiro passo para sair do endividamento é ter clareza sobre a real situação financeira. “É preciso fazer um levantamento de todas as despesas mensais e colocar na ponta do lápis todas as dívidas contraídas, identificando quanto foi ultrapassado do rendimento mensal”, orienta.

A partir desse diagnóstico, o próximo passo é definir prioridades. “As dívidas precisam ser pagas. Elas podem até ser postergadas, mas precisam ser cumpridas. E isso deve ser feito com a família reunida, avaliando o que deve ser pago primeiro, como cartão de crédito e cheque especial, que têm juros muito altos”, destaca o economista.

Freepik
Conhecendo sua realidade através de um levantamento das despesas

Com as contas organizadas, é hora de planejar os próximos meses, levando em consideração despesas típicas do início do ano, como IPTU, IPVA, rematrícula escolar, taxas profissionais e custos fixos do dia a dia. “Analisando os gastos, é fundamental comparar com os recursos financeiros disponíveis. Se não houver compatibilidade, o parcelamento de algumas contas, como o IPTU, pode ser uma alternativa, desde que não comprometa o orçamento”, explica Dorgilan Cruz.

Segundo o especialista, manter esse controle de forma contínua é essencial para não voltar ao endividamento. “Planejamento não é algo pontual, é um hábito que precisa ser mantido ao longo do ano”, conclui.

Reserva financeira: enxugando o que é excesso

Para evitar apertos financeiros ao longo do ano, uma das principais orientações do economista Dorgilan Cruz é a criação de uma reserva de emergência. Esse planejamento pode ter diferentes objetivos: uma viagem, a compra de um bem, a preparação para a aposentadoria ou simplesmente a garantia de uma quantia para situações inesperadas.

Para quem ainda não possui reserva, mas deseja começar, o primeiro passo é identificar quais gastos são realmente necessários. Avaliar as despesas mensais e cortar aquilo que não é essencial faz toda a diferença. “Se puder, guarde 5% do que ganha. Pode parecer pouco, mas, ao final do ano, será um valor significativo, especialmente para quem não tinha nada guardado. E, quando estiver mais folgado, é possível aumentar esse percentual”, orienta.

No entanto, para quem trabalha de forma informal ou possui renda variável ou limitada, guardar dinheiro nem sempre é simples. Nesses casos, a recomendação é enxugar o orçamento ao máximo.

“Hoje existem diversos tipos de entretenimento, como assinaturas de streaming de filmes, músicas e vídeos. No fim do mês, o valor investido nesses serviços pode ser alto. É importante definir um percentual para gastos com alimentação, lazer e outras despesas, priorizando aquilo que realmente importa. Ao reduzir esses custos, é possível direcionar o recurso para uma reserva financeira, principalmente para quem depende de comissão ou trabalha na informalidade”, destaca o economista.

Marcello Casal Jr/ Agência Brasil
Para quem trabalha informalmente, a reserva é ainda mais importante

A reserva financeira também é essencial para situações emergenciais, como perda do emprego ou problemas de saúde. Com o orçamento mais controlado e uma reserva garantida, o trabalhador consegue se manter enquanto reorganiza sua vida financeira.

“Para quem trabalha informalmente, a reserva é ainda mais importante. Se ocorrer um imprevisto e a pessoa ficar impossibilitada de trabalhar por alguns meses, esse valor ajudará a arcar com despesas básicas, como alimentação, água e luz. O ideal é acumular entre quatro e seis vezes o valor da renda mensal”, explica Dorgilan Cruz.

Caso a renda principal não seja suficiente para cobrir os gastos, a última dica é buscar fontes alternativas de ganho. “Não dependa apenas de uma atividade. Procure algo que possa complementar a renda, como a venda de bolos, salgados ou outros produtos no comércio”, conclui o economista.


Você quer estar por dentro de todas as novidades do Piauí, do Brasil e do mundo? Siga o Instagram do Sistema O Dia e entre no nosso canal do WhatsApp se mantenha atualizado com as últimas notícias. Siga, curta e acompanhe o líder de credibilidade também na internet.