Quem faz da política sua arte de viver olha o futuro de uma forma diferente da população comum. O que transforma Wellington Dias e Rafael Fonteles nas principais lideranças políticas do Piauí é exatamente a capacidade de prever o futuro e saber que o que vai acontecer em 2030, depende do que já está acontecendo em 2026.
Se olharmos diretamente para 2030, o cenário é de um Wellington Dias encerrando o mandato de senador. Pela idade e sua força política, é impensável imaginar que ele vai querer encerrar sua carreira política em 2030, logo, é naturalmente candidato à reeleição. Por sua vez, Rafael Fonteles, jovem, e encerrando um segundo mandato de governador, tem como caminho natural o Senado. Qualquer discussão para além disso passa a ser mais especulação do que um fato óbvio. Até porque depende de tantas variáveis que é impossível visualizar o cenário político estadual e nacional em 2030.
Em caso de Rafael emplacar Washington Bandeira de vice, e decidir ser candidato ao Senado, não fica espaço para Wellington em uma chapa majoritária. Nem mesmo com ele ou o filho Vinicius Dias sendo vice. É improvável que o PT tenha os cargos majoritários em 2030. E acreditar que Rafael fique no governo até o final para apoiar Wellington ao Senado, é acreditar que Rafael tomará uma decisão que o próprio Wellington nunca tomou.
É este o problema que Wellington Dias quer resolver. Ele já conquistou todas as vitórias possíveis na política piauiense, não vai querer perder tudo, nem emplacar o herdeiro, principalmente sendo deixado para trás por quem ele ensinou como se joga.