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Ibovespa dispara 1,87% e supera 175 mil pontos com IPCA

O Ibovespa opera em forte alta nesta sexta-feira (10) e supera a marca dos 175 mil pontos, impulsionado pela divulgação do IPCA de junho, que veio abaixo das expectativas do mercado. Por volta das 10h30, o principal índice da bolsa brasileira registrava valorização de +1,87%, aos R$ 175.980,33, com ganho de R$ 3.238,21 em relação ao fechamento anterior.

O Ibovespa abriu o pregão cotado a R$ 175.980,33 e oscilou entre a mínima de R$ 172.760,66 e a máxima de R$ 176.162,33 ao longo da manhã. O movimento de alta representa uma continuidade da recuperação iniciada na sessão anterior, quando o índice interrompeu uma sequência de três quedas consecutivas.

IPCA abaixo do esperado impulsiona otimismo

O principal catalisador do movimento de alta do Ibovespa nesta sexta-feira foi a divulgação do IPCA de junho pelo IBGE. O índice oficial de inflação registrou alta de apenas 0,16% no mês, ficando significativamente abaixo da expectativa de mercado, que apontava para uma variação de 0,31%. Na comparação anual, o avanço foi de 4,64%, também inferior à projeção de 4,80%.

O resultado benigno da inflação reforça as apostas do mercado em um novo corte da taxa Selic na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), marcada para os dias 28 e 29 de julho. Atualmente, a taxa básica de juros está em 14,25% ao ano, após três cortes consecutivos de 0,25 ponto percentual realizados pelo Banco Central.

O grupo Alimentação e bebidas foi o principal responsável pelo alívio inflacionário, com queda de 0,24% em junho, após alta de 1,33% em maio. A alimentação no domicílio recuou 0,39%, puxada pelas reduções nos preços do café moído, frutas e carnes.

Setores sensíveis a juros lideram ganhos

Com a perspectiva de continuidade do ciclo de afrouxamento monetário, os setores mais sensíveis às taxas de juros lideram os ganhos no Ibovespa. Bancos, varejistas e construtoras figuram entre as maiores altas do pregão, refletindo o otimismo dos investidores com a possibilidade de crédito mais barato e maior consumo.

Na sessão anterior, o setor financeiro já havia dado sinais de recuperação, com destaque para Banco do Brasil, BTG Pactual e Itaú Unibanco. As ações de varejo também apresentaram forte desempenho, com Magazine Luiza avançando mais de 7% na quarta-feira.

O movimento positivo no Ibovespa também é sustentado pelo cenário externo. Os mercados asiáticos encerraram a sessão em alta, impulsionados pelo desempenho das fabricantes de semicondutores nos Estados Unidos. Os futuros das bolsas de Nova York operam sem direção definida, mas sem pressão vendedora significativa.

Contexto e perspectivas para o índice

Apesar da recuperação recente, o Ibovespa ainda opera em território de correção após ter atingido a máxima histórica de 199.354 pontos em abril deste ano. Desde então, o índice acumula queda de aproximadamente 12%, refletindo a deterioração das expectativas inflacionárias e a manutenção de juros em patamares restritivos.

No acumulado do primeiro semestre de 2026, o Ibovespa registrou alta de 6,77%, sustentado principalmente pelo fluxo de capital estrangeiro direcionado a mercados emergentes. No entanto, o índice encerrou quatro meses consecutivos em queda, sinalizando uma mudança de marcha no mercado.

Para analistas técnicos, a superação da faixa de resistência entre 174.230 e 178.340 pontos é fundamental para confirmar a retomada da tendência de alta. O índice voltou a negociar acima das médias móveis de 9 e 21 períodos, sinalizando melhora no curto prazo, enquanto o IFR permanece em região neutra, indicando espaço para movimentos em ambas as direções.

O real também apresenta valorização frente ao dólar, reforçando o cenário positivo para ativos brasileiros. A moeda americana opera em queda, refletindo a maior atratividade dos ativos domésticos em um ambiente de juros reais elevados e inflação em desaceleração.