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“Dezembrite”: entenda a síndrome do fim de ano e como lidar com as frustrações

Com a chegada de dezembro, muitas pessoas passam a vivenciar sentimentos intensos de frustração, ansiedade e sensação de tempo perdido. Esse fenômeno, popularmente chamado de “dezembrite” ou síndrome do fim de ano, não é reconhecido oficialmente como um transtorno mental, mas tem chamado a atenção de psicólogos pelo impacto emocional que provoca em parte da população.

Segundo o psicólogo Lucas Lima Ribeiro, esse sofrimento está diretamente ligado à forma como as pessoas planejam e avaliam suas metas.

Planejar faz parte da nossa vida. O problema não é planejar, mas estabelecer metas inalcançáveis e, no fim do ano, se cobrar por não tê-las cumprido

Lucas Lima Ribeiropsicólogo

É comum, nesse período, que as pessoas façam um balanço negativo do ano, afirmando que “não fizeram nada”. Para Lucas, essa percepção precisa ser questionada. “Será que realmente não houve aprendizados, experiências ou conquistas, seja no trabalho, na família ou nas relações pessoais? São muitas vivências ao longo de um ano inteiro”, destaca.

Comparações e metas irreais aumentam a frustração

A psicóloga Samila Leão explica que o termo “dezembrite” surgiu justamente porque esse sofrimento costuma se intensificar em dezembro, um mês simbólico de encerramento e recomeço. “Não é um transtorno, mas é um sofrimento mental que merece atenção, especialmente quando a pessoa se frustra por não alcançar todas as metas que traçou”, afirma.

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“Dezembrite”: entenda a síndrome do fim de ano e como lidar com as frustrações

Ela alerta que as comparações, principalmente com padrões exibidos nas redes sociais, contribuem para o agravamento desse sentimento. “Muitas pessoas fazem listas gigantes de metas em janeiro, sem considerar seus limites, contexto e vivências. Isso gera frustração ao longo do ano”, diz.

Quando a tristeza exige atenção?

A tristeza ocasional é considerada normal, mas pode se tornar um problema quando começa a interferir na rotina. “Falamos em transtorno mental quando há aumento da frequência, da intensidade e do impacto na vida da pessoa. A tristeza passa a comprometer o trabalho, os estudos e os relacionamentos”, explica Samila Leão.

Segundo a psicóloga, no Brasil, muitas pessoas só buscam ajuda quando o quadro já está moderado ou grave. “É importante procurar apoio antes, quando os sinais ainda são iniciais”, reforça.

Como lidar com a “dezembrite”?

Os especialistas destacam que o autoconhecimento é o ponto de partida. “É preciso se conhecer para se cobrar de forma justa e estabelecer metas possíveis”, afirma Lucas Lima Ribeiro. Ele recomenda evitar planejamentos feitos no calor das emoções, como durante festas de fim de ano. “Quando a meta é criada nesse contexto, a cobrança externa aumenta e a frustração vem com mais força”, alerta.

A dica é começar de forma gradual. “Espere o ano iniciar, planeje os primeiros 15 dias e vá ajustando conforme a realidade. O autoconhecimento é um processo lento, mas necessário”, conclui Lucas.

Já Samila reforça que é preciso "identificar onde você quer melhorar, avaliar o que está sob seu controle e buscar atitudes viáveis no momento. Nem tudo precisa ser resolvido de uma vez”, conclui.

Assim, a “dezembrite” pode ser um convite à reflexão, desde que acompanhada de planejamento realista, acolhimento emocional e, quando necessário, busca por ajuda profissional.


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