Uma empresa ligada ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, foi alvo da terceira fase da Operação Carbono Oculto, deflagrada nesta quinta-feira (24) pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP) e pela Receita Federal. A Operação Crédito Oculto investiga estruturas financeiras que teriam sido utilizadas para ocultar patrimônio, dissimular a origem de recursos e viabilizar a aquisição de uma das maiores distribuidoras de combustíveis do país.
Entre os alvos está o empresário Antônio Carlos Freixo Junior, conhecido como Mineiro, dono da Entre Investimentos. Segundo as autoridades, a empresa participou de estruturas financeiras investigadas na operação. Freixo também é apontado em outras investigações como ligado a Daniel Vorcaro e ao Banco Master.
A Operação Crédito Oculto cumpre mandados de busca e apreensão em sete estados. A Receita Federal informou que a investigação identificou estruturas sobrepostas para, inicialmente, ocultar o controle de uma usina sucroalcooleira no interior de São Paulo e, posteriormente, viabilizar a aquisição de uma distribuidora de combustíveis.
Investigação aponta movimentação de R$ 11,6 bilhões
Segundo a Receita Federal, a empresa financeira utilizada na aquisição simulada da usina movimentou cerca de R$ 11,6 bilhões entre 2021 e 2025. Para os investigadores, o volume, analisado junto às demais evidências, reforça os indícios de uso de estruturas financeiras e de investimentos para ocultação patrimonial, dissimulação da origem de recursos e lavagem de capitais.
Um dos principais pontos identificados envolve uma operação de aproximadamente R$ 370 milhões em direitos creditórios da usina. De acordo com a Receita, uma empresa ligada à sociedade de investimentos adquiriu os créditos por meio da transferência de cotas de um fundo de investimento em direitos creditórios (FIDC).
A análise financeira apontou que parte relevante dos recursos utilizados na aquisição das cotas teria vindo de fundos de investimento controlados pelo mesmo grupo investigado. Segundo a Receita, a estrutura teria criado um fluxo financeiro circular, dando aparência de legitimidade à operação e dificultando a identificação dos beneficiários finais.
A investigação aponta ainda que a usina teria recebido R$ 100 milhões enviados pela organização criminosa para financiar a aquisição da distribuidora de combustíveis. O dinheiro teria passado por diferentes contas e fintechs antes de chegar à empresa.
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Relação com Daniel Vorcaro
A ligação com Daniel Vorcaro aparece por meio de Antônio Carlos Freixo Junior e da Entre Investimentos. Segundo informações divulgadas nesta quinta-feira, Freixo é apontado como operador financeiro ligado ao ex-banqueiro e também aparece em investigações relacionadas ao financiamento do filme Dark Horse, sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.
A relação com o caso Master, porém, não significa que a Operação Crédito Oculto tenha como objeto uma investigação diretamente contra Vorcaro. O foco divulgado oficialmente pela Receita é a utilização de estruturas financeiras na ocultação do controle de uma usina e na aquisição de uma distribuidora de combustíveis.
Em declaração nesta quinta-feira, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que a Entre Investimentos teria funcionado como instrumento de ocultação e lavagem de dinheiro. “A Entre é uma administradora de recursos que funcionou também como instrumento de ocultação e lavagem de dinheiro”, disse Durigan.