As chamadas canetas emagrecedoras têm ganhado cada vez mais espaço entre pessoas que desejam perder peso rapidamente. Desenvolvidos originalmente para auxiliar no tratamento do diabetes e no controle da glicose, esses medicamentos também passaram a ser utilizados no tratamento da obesidade, trazendo resultados significativos quando utilizados de forma adequada.
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No entanto, especialistas alertam que o uso indiscriminado, sem acompanhamento profissional, pode trazer consequências que vão além das alterações físicas, afetando também a saúde mental dos pacientes. A psicóloga Raphaela Mourão explica que as canetas são uma ferramenta importante no tratamento de doenças crônicas, como obesidade e diabetes, mas ressalta que seu uso deve ocorrer sempre com orientação médica e acompanhamento multidisciplinar.
As canetas emagrecedoras vieram para ajudar as pessoas que sofrem de doenças como diabetes e obesidade. Elas realmente ajudam no processo de emagrecimento, mas precisam ser utilizadas da forma correta, com acompanhamento médico, nutricional e psicológico
Segundo a especialista, um dos principais desafios está na mudança de hábitos. Embora a medicação possa contribuir para a perda de peso, ela não resolve sozinha questões comportamentais e emocionais relacionadas à alimentação. “O que está acontecendo é que muitas pessoas estão utilizando sem acompanhamento. A nossa preocupação é que, no futuro, aconteça o efeito rebote. As pessoas voltam a ganhar peso porque, durante o processo, não mudaram os hábitos nem os comportamentos”, explicou.
Raphaela Mourão destaca que o emagrecimento acelerado também pode gerar impactos na forma como a pessoa se percebe. Em alguns casos, a mudança física acontece mais rápido do que a adaptação emocional, favorecendo o surgimento de transtornos alimentares e de imagem.
“Depois do uso das canetas, sem esse acompanhamento psicológico, a pessoa pode adquirir outro problema. Pode desenvolver distúrbios alimentares, como anorexia, ou continuar apresentando episódios de compulsão alimentar. Ela ainda não consegue distinguir o que é fome biológica do que é fome psicológica”, alertou.
A psicóloga explica que o acompanhamento profissional auxilia justamente nesse processo de autoconhecimento, ajudando o paciente a compreender os gatilhos emocionais ligados à alimentação e a construir uma relação mais saudável com o próprio corpo.
Pressão estética e influência das redes sociais
Outro ponto de preocupação é a crescente busca pelas canetas emagrecedoras motivada exclusivamente por questões estéticas. Segundo a psicóloga Raphaela Mourão, as redes sociais têm contribuído para a disseminação de padrões de beleza muitas vezes inalcançáveis, incentivando o uso inadequado dos medicamentos.
“Hoje você entra nas redes sociais e encontra várias dicas, orientações sobre como usar as canetas, muitas vezes sem qualquer acompanhamento. Cada pessoa é uma pessoa. Ela precisa de um acompanhamento específico para o seu caso”, ressaltou.
A profissional relata que tem observado situações preocupantes no consultório, incluindo pessoas que utilizam a medicação apenas para perder alguns quilos antes de eventos específicos.
Recebo pacientes que dizem: ‘Vou para um casamento daqui a quinze dias e vou tomar uma dose para secar um pouco e caber no vestido’. A caneta não veio para fazer isso
De acordo com a psicóloga, outro problema frequente ocorre quando o resultado esperado não acontece no tempo desejado. A comparação com amigos ou influenciadores digitais pode gerar frustração, ansiedade e até sintomas depressivos. “Muitas pessoas veem alguém tendo resultado e querem reproduzir exatamente a mesma experiência. Quando isso não acontece, surge a frustração. A pessoa acha que não consegue emagrecer e pode começar a apresentar sofrimento emocional”, explicou.
Raphaela Mourão relata que já atendeu casos de pessoas que passaram a utilizar doses inadequadas por conta própria, sem orientação médica, na tentativa de acelerar os resultados. “Tenho paciente que aplicava uma caneta a cada dois dias. Isso é um absurdo. Sem fiscalização e sem orientação adequada, podemos enfrentar um problema muito sério no futuro”, alertou.
Para a especialista, o principal erro é acreditar que a medicação, sozinha, será capaz de resolver uma condição complexa como a obesidade. Ela compara o tratamento ao acompanhamento de outras doenças crônicas, que exigem cuidados contínuos ao longo da vida. “A obesidade é uma doença crônica. Não adianta apenas aplicar a caneta. É preciso mudar hábitos, cuidar da alimentação, praticar atividade física e olhar para a saúde mental. A caneta é uma ferramenta para ajudar no emagrecimento, mas ela não faz milagre”, concluiu.