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STF inicia julgamento sobre investigação de conversas entre Moraes e Vorcaro; acompanhe aqui

Matéria atualizada às 11h42 desta terça-feira (15/09/2026)

O plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) iniciou, por volta das 10h35 desta terça-feira (15), a sessão que vai analisar se o ministro Alexandre de Moraes pode ser investigado por sua suposta relação com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. A sessão foi aberta pelo presidente da Corte, ministro Edson Fachin, que fez um discurso e relembrou a trajetória dos integrantes do Supremo até a chegada ao tribunal.

Rosinei Coutinho/STF
Fachin cita “período difícil” ao abrir sessão sobre sobre caso Master

Na abertura, o presidente do STF, ministro Edson Fachin, afirmou que a Corte atravessa "um período difícil de sua história" e fez um apelo pela preservação institucional do tribunal. Em seu discurso, Fachin destacou a responsabilidade dos atuais ministros na manutenção da instituição para as próximas gerações. "Não temos o direito de entregar às gerações futuras um Supremo Tribunal Federal menor do que aquele que recebemos", declarou.

Fachin afirmou ainda que o STF sobreviveu a crises políticas, períodos autoritários e questionamentos ao longo de sua história. Segundo o ministro, cabe aos integrantes da Corte preservar o legado recebido e garantir a continuidade da instituição. "Esta instituição não nos pertence. Nós a recebemos do passado. Temos o dever de preservá-la no presente. E haveremos de entregá-la ao futuro", afirmou.

O presidente do Supremo também disse que os ministros têm o dever de "conduzir o tribunal durante um período difícil da história".

Na sequência, Fachin passou a apresentar um resumo das investigações envolvendo Daniel Vorcaro, além do andamento das apurações na Polícia Federal e no próprio STF.

Reprodução
STF inicia julgamento sobre investigação de conversas entre Moraes e Vorcaro; acompanhe aqui

Rito

De acordo com o procedimento definido pelo presidente do STF e novo relator do caso, ministro Edson Fachin. A sessão está marcada para às 10h e será transmitida pela TV Justiça e pela internet.

Em seguida, a secretária da sessão fará a leitura da ata da sessão anterior da Corte, e Fachin vai fazer as saudações de praxe a todos os ministros.

O ministro chamará o processo para julgamento e fará a leitura do relatório do caso. Depois, a palavra será dada à Procuradoria-Geral da República (PGR).

Após a manifestação da procuradoria, a votação será iniciada. O STF não confirmou se Alexandre de Moraes poderá participar da sessão. 

O plenário também é composto pelos ministros Cristiano Zanin, Flávio Dino, Nunes Marques, Luiz Fux, Cármen Lúcia e Gilmar Mendes.

A participação de Dias Toffoli também não está confirmada. No início deste ano, Toffoli declarou-se impedido de participar de julgamentos sobre o caso Master após a imprensa revelar que o ministro é dono de um resort que foi comprado por um fundo de investimentos ligado ao banco.

O rito previsto pode ser interrompido por uma questão de ordem, que poderá ser suscitada por qualquer ministro. Além disso, poderá ocorrer um pedido de vista para suspender a deliberação.

Entenda

O caso veio à tona no dia 1° de setembro, quando André Mendonça, antigo relator, retirou o sigilo do caso e encaminhou as conversas para Fachin.

A investigação da PF aponta que Vorcaro trocou cerca de 50 mensagens com um número atribuído a Moraes antes de ser preso, em 17 de novembro do ano passado. O ministro não é relator do caso Master no STF, mas passou a ter contato com o ex-banqueiro após o escritório Barci de Moraes, pertencente à família do magistrado, prestar serviços ao banco.

Em 15 de novembro de 2025, Vorcaro demonstrou preocupação com o avanço das investigações, que ainda tramitavam na primeira instância da Justiça Federal em Brasília. Na conversa, citou o procurador-geral da República, Paulo Gonet, e o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues.

“Não conseguimos reverter isso com Paulo ou Andrei? Muita sacanagem isso. Isso em Brasília?”, escreveu o ex-banqueiro.

Apesar da menção, não há indícios de que Gonet ou Andrei tenham interferido nas apurações. No dia seguinte, Vorcaro citou o juiz Ricardo Leite, então responsável pelas investigações na Justiça Federal, e perguntou sobre a possibilidade de ser preso.

“Você acha que tem chance de isso acontecer amanhã de manhã?”, questionou.

Vorcaro foi preso em 17 de novembro por determinação de Ricardo Leite. Meses depois, o caso foi enviado ao Supremo.

O que dizem Moraes e a PGR

Desde o início da divulgação das conversas, o ministro Alexandre de Moraes não se pronunciou especificamente sobre o conteúdo das mensagens.

Após o envio das conversas para Fachin, Moraes incluiu Mendonça no inquérito das fake news e o acusou de direcionar a investigação contra ele por “motivos políticos”. Em seguida, a inclusão foi desfeita por Fachin. 

Durante a tramitação do feito, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, que também foi citado nas mensagens, defendeu a anulação do relatório da PF que encontrou as conversas.

Na manifestação enviada à Corte, Gonet disse que André Mendonça investigou Moraes ilegalmente ao determinar o aprofundamento da investigação sobre o caso Master para esmiuçar as conversas envolvendo o ministro e o ex-banqueiro.

No entendimento do procurador, o aprofundamento da apuração só poderia ocorrer após autorização do plenário da Corte.