Candidato à Presidência da República pelo partido Missão, Renan Santos participou nesta quarta-feira (26) da sabatina promovida pela TV Globo, conduzida por Renata Vasconcellos e César Tralli. Ele foi o terceiro entrevistado da série, que já recebeu Romeu Zema (Novo) e Ronaldo Caiado (PSD).
Durante a entrevista, Renan defendeu que o Brasil desenvolva armamento nuclear, detalhou seu plano de combate ao crime organizado e usou o caso da advogada Deolane Bezerra para justificar uma de suas propostas na área penal.
Para justificar a defesa da bomba atômica, Santos associou o desenvolvimento nuclear à posição do país no cenário internacional nas próximas décadas. Ele afirmou que o projeto ainda não conta com embasamento técnico ou científico e reconheceu que o Brasil não teria condições de produzir esse tipo de armamento na próxima década.
"Se o Brasil quiser ser uma das cinco maiores nações do mundo, que se presta a sentar na mesa com Estados Unidos, Índia, Rússia e China, ele vai precisar ter soberania, a soberania sobre o seu próprio território, soberania militar, e vai ter que discutir ter bombas atômicas", afirmou.
Questionado sobre o fato de a Constituição brasileira permitir atividade nuclear apenas para fins pacíficos, o candidato manteve a posição e declarou apoio à retirada do Brasil do Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares. Atualmente, apenas a Coreia do Norte adotou essa medida entre os países signatários.
Na área de segurança pública, Santos apresentou um plano voltado à retomada de territórios controlados por facções criminosas em até um ano. A proposta prevê a construção de dez novos presídios federais, com investimento de R$ 6 bilhões, além de R$ 5 bilhões anuais destinados a operações contra o crime organizado.
Ao comentar a situação de moradores de áreas dominadas pelo crime, o candidato relacionou o domínio territorial das facções a violações cometidas contra a população local. "Se você mora em uma favela, o crime organizado manda em você, pode te desalojar da tua casa, pode eventualmente se interessar de maneira sexual pela tua filha e você não tem como se defender", comentou.
Renan Santos também defendeu a aplicação do chamado Direito Penal do Inimigo contra integrantes de facções, mecanismo que reduziria garantias processuais para pessoas classificadas como ligadas ao crime organizado. Questionado sobre os critérios para essa classificação, ele citou um caso recente para exemplificar como as autoridades identificariam esses vínculos.
"O devido processo legal. Hoje, existem investigações que determinam que uma pessoa é membro de uma facção. Uma influencer chamada Deolane, descobriram que ela era não apenas uma influenciadora, mas uma advogada ligada ao PCC", disse.
A entrevista também abordou a proximidade de Santos com o modelo de segurança pública adotado por Nayib Bukele, presidente de El Salvador, alvo de denúncias de organizações internacionais por torturas, desaparecimentos e prisões sem mandado. O candidato não reconheceu as acusações e afirmou que pretende adotar medidas semelhantes às do país centro-americano.
"Muitos elementos que foram adotados em El Salvador, de maneira muito similar, vão ser adotados por mim. Eu vou dar um exemplo: a ideia de enfrentamento usando um regime especial, aqui o Estado de Defesa, em áreas dominadas pelo crime, eu vou adotar. Vai ter um regime de exceção em favelas para eu retomar a favela", declarou.
O candidato ainda foi confrontado com um áudio de seu aliado, o deputado estadual cassado Arthur do Val, do mesmo partido. Na gravação, feita durante viagem à Ucrânia em 2022, Arthur do Val afirmou que mulheres ucranianas seriam "fáceis" por causa da situação de pobreza no país em guerra. Santos reconheceu o teor do áudio, mas relativizou a repercussão do episódio.
"O áudio é muito ruim. Se a pessoa ouve, mulher ou homem, mesmo, fica esse áudio não é adequado. Dito isso, foi um áudio privado, em ambiente privado e ele perdeu o mandato dele", destacou.
Na área econômica, Santos propôs corte de R$ 1 trilhão em gastos públicos e uma nova reforma da Previdência, com redução de despesas com aposentadorias. Ele também defendeu o fim da vinculação obrigatória de parte do Orçamento da União a gastos com saúde e educação, medida que, segundo ele, prejudica municípios com população envelhecida e baixa natalidade.
A sabatina segue até sábado (29). Nos próximos dias, estão previstas as entrevistas com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), na quinta-feira (27), Flávio Bolsonaro (PL), na sexta-feira (28), e Augusto Cury (Avante), no sábado (30).
Quem é Renan Santos
Renan Santos disputa a primeira eleição da carreira dele como candidato à Presidência, pelo partido Missão, criado em 2025. Aos 42 anos, é empresário e cofundador do Movimento Brasil Livre (MBL), fundado em 2014. Cursou Direito na USP, sem concluir a graduação.
O MBL surgiu a partir das manifestações que pediram o impeachment da então presidente Dilma Rousseff (PT), em 2015 e 2016, e posteriormente se transformou em partido político. Desde então, a atuação de Renan Santos é associada a pautas de segurança pública e ao alinhamento com modelos internacionais de enfrentamento ao crime organizado, como o de Nayib Bukele em El Salvador.
Entre as propostas da candidatura estão o aumento de penas para crimes violentos, a construção de novos presídios de grande porte e a adoção do Direito Penal do Inimigo, que classificaria integrantes de facções como inimigos do Estado. Santos também defende condicionar a reeleição de prefeitos ao cumprimento de metas, substituir a CLT por negociação direta entre empregadores e trabalhadores, extinguir a Justiça do Trabalho, criar uma reserva nacional em criptomoedas e aprovar uma PEC para reduzir gastos públicos.