Os medicamentos emagrecedores à base de hormônios que regulam o apetite causaram uma verdadeira revolução no tratamento da obesidade. As chamadas canetas emagrecedoras criaram um nicho de mercado dinâmico, mas altamente arriscado.
, teve sua patente quebrada no Brasil no último dia 20 de março. Especialistas dizem que isso o que deve acarretar aumento no desenvolvimento de fórmulas e métodos de uso.
Dinamização por um lado, mas risco por outro. O princípio ativo do Ozempic, a Semaglutida, pertencia ao laboratório dinamarquês Novo Nordisk, mas na semana passada, essa patente expirou na China, Índia, Turquia, Canadá e no Brasil. As atenções agora se voltam para o aumento da competitividade. É que sem a patente, a produção do Ozempic se torna mais barata e isso chega ao bolso do consumidor final: as canetas emagrecedoras à base de semaglutida também barateiam. Isso significa mais facilidade de acesso. Em tese, espera-se isso. Mas, na verdade, dificuldades regulatórias e industriais podem travar essa produção.
A Anvisa ainda não autorizou no Brasil a produção da semaglutida. Ao todo, 14 pedidos para produção e importação do princípio ativo já foram protocolados na agência reguladora. Mas essa competitividade acende um alerta: o risco da produção de medicamentos sem um estudo prévio ou sem procedência.
As canetas emagrecedoras, em geral, são indicadas para casos de diabetes, obesidade, gordura no fígado e apneia do sono. Mas o efeito do emagrecimento acabou atraindo a atenção das pessoas e fazendo-as perder o filtro entre a necessidade e a estética. Quem diz isso é médico endocrinologista Wallace Miranda.
“Essa classe de medicação já tem mais de 20 anos, tem estudos e avaliações bem estabelecidos para diabetes, obesidade e outros distúrbios. É uma medicação segura para ser utilizada, porque foi aprovada pelos órgãos competentes. Mas só o que tem no mercado são drogas que a gente nem sabe do que são feitas, mas que são vendidas como emagrecedores milagrosos e usados por quem quer tem fins estéticos. Pode ser que seja sim uma medicação. Ou pode ser qualquer coisa que a pessoa está aplicando sem saber o que é”, pontua o médico.
Wallace Miranda faz uma analogia do corpo humano com um veículo. Quem tem um carro, por exemplo, não quer colocar qualquer combustível sem procedência no tanque e causar algum problema mecânico futuro. Do mesmo jeito são as canetas emagrecedoras. “Por que a gente quer aplicar em nosso corpo uma medicação que não temos certeza da origem?”, questiona.
O endocrinologista faz um alerta para que quem utiliza canetas emagrecedoras comprem o medicamento somente em farmácias. É seguro e correto evitar comprar estas fórmulas ou qualquer outra na mão de conhecidos sem ter uma certificação. Wallace diz que fazer isso é “jogar roleta russa com a nossa saúde”.
Ele chama atenção para o risco de a pessoa injetar substâncias nocivas ao corpo, substâncias que não causam qualquer efeito ou doses incorretas de um medicamento que vai mexer com partes importantíssimas do organismo, como o sistema digestivo e hormonal. É igualmente importante e necessário a indicação e acompanhamento médico especializado.
“Para fazer uso de canetas emagrecedoras em que fazer exames, verificar a real indicação. Um tratamento como este tem que ser feito por um médico especialista, alguém capacitado em tratar as doenças que estas drogas tratam. Tem riscos altíssimos em casos de má administração e mau uso”, pontua Wallace, elencando pancreatite e desidratação como efeitos adversos mais comuns das canetas emagrecedoras.
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