A maioria dos trabalhadores brasileiros não teme perder o emprego ou a principal fonte de renda nos próximos seis meses. É o que aponta a 14ª edição dos Indicadores de Qualidade do Trabalho da Sondagem de Mercado de Trabalho (SMT), realizada pelo FGV IBRE e divulgados nesta sexta-feira (14). De acordo com os dados referentes ao trimestre encerrado em julho de 2026, 59,3% dos entrevistados consideram improvável ou muito improvável perder sua principal ocupação ou fonte de renda no período.
Por outro lado, 12,1% dos trabalhadores avaliam como provável ou muito provável a possibilidade de perder o emprego ou a principal fonte de renda nos próximos seis meses. Os demais entrevistados afirmaram não saber avaliar a possibilidade.
Na comparação com o mesmo período do ano passado, houve aumento de 4,9% na parcela de trabalhadores que consideram improvável ou muito improvável perder a principal ocupação. O resultado representa o maior percentual registrado desde o início da série, em junho de 2025. Já a parcela que considera provável ou muito provável perder o emprego recuou 4,3% em relação a julho de 2025, atingindo o menor valor registrado para o período.
Para Rodolpho Tobler, superintendente adjunto do FGV IBRE, os resultados reforçam a percepção de que o mercado de trabalho permanece aquecido. Segundo ele, a percepção de segurança dos trabalhadores ocorre em um cenário de baixa taxa de desemprego e crescimento da população ocupada.
“Os resultados de julho da sondagem reforçam a percepção de mercado de trabalho aquecido. A grande maioria dos respondentes da pesquisa continua indicando não ter medo do desemprego nos próximos seis meses, sendo até recorde a parcela das pessoas que acreditam ser improvável ou muito improvável que percam sua principal ocupação”, afirma.
Ainda de acordo com Tobler, mesmo que a economia apresente alguma desaceleração nos próximos meses, o cenário do mercado de trabalho tende a permanecer positivo.
“Considerando que, mesmo com alguma desaceleração da economia, a taxa de desemprego continua registrando números baixos em termos históricos e a população ocupada segue crescendo, o resultado sugere que esse cenário não deve se alterar nos próximos meses. Os números sobre o mercado de trabalho podem até evoluir em ritmo menos intenso nessa segunda metade do ano, mas ainda em patamar positivo”, explica.
Os dados fazem parte dos indicadores de qualidade do emprego que passaram a ser divulgados mensalmente pelo FGV IBRE a partir de julho de 2025. As informações são obtidas por meio da Sondagem de Mercado de Trabalho, pesquisa realizada com a população brasileira em idade para trabalhar e que busca complementar os dados tradicionais sobre o mercado de trabalho a partir da percepção dos próprios trabalhadores.
Além da possibilidade de perder o emprego ou a fonte de renda, a pesquisa acompanha outros cinco aspectos: satisfação com o trabalho, proteção social, percepção sobre a suficiência da renda, avaliação geral do mercado de trabalho e expectativa para os próximos seis meses.
Como a série histórica começou em 2025, os dados ainda são recentes e não permitem uma análise histórica mais ampla. O FGV IBRE também alerta que os indicadores não possuem ajuste sazonal, o que exige cautela nas comparações de curto prazo.