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Maioria dos brasileiros diz que renda não cobre despesas, aponta pesquisa

Mais da metade dos brasileiros considera que a renda familiar não é suficiente para cobrir as despesas mensais, segundo pesquisa Datafolha realizada nos dias 8 e 9 de abril de 2026. O levantamento aponta que 56% dos entrevistados enfrentam dificuldades para fechar o orçamento, enquanto 36% dizem que o rendimento é suficiente e apenas 6% afirmam ter sobra financeira.

O estudo ouviu 2.002 pessoas em 117 municípios do país e revela um cenário de pressão sobre o orçamento doméstico, especialmente entre as famílias de menor renda. Entre aqueles que ganham até dois salários mínimos, 73% afirmaram que o dinheiro não é suficiente para cobrir os gastos básicos. Já entre os que recebem de dois a cinco salários mínimos, esse percentual cai para 49%, e chega a 32% entre quem ganha acima desse patamar.

Reprodução/Freepik
Maioria dos brasileiros diz que renda não cobre despesas, aponta pesquisa

A percepção de aperto financeiro aparece também na busca por alternativas para complementar a renda. De acordo com a pesquisa, 45% dos entrevistados disseram ter procurado alguma fonte extra de ganhos nos últimos meses.

Esse movimento é mais comum entre pessoas com maior nível de escolaridade, enquanto grupos com menor escolaridade apresentam menor participação no mercado de trabalho, o que inclui aposentados e pessoas fora da força de trabalho.

Os dados mostram ainda que quatro em cada dez brasileiros relataram queda na renda familiar recente. A redução é mais frequente entre pessoas de 35 a 44 anos, faixa em que 49% afirmaram ter perdido parte dos rendimentos. Entre os jovens de 16 a 24 anos, a variação foi menor.

O cenário de dificuldade financeira ocorre em paralelo ao aumento do endividamento. Dados da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo indicam que, em março de 2026, 80,4% das famílias brasileiras estavam endividadas, o maior índice desde o início da série histórica, em 2010.

Segundo o levantamento, o uso do crédito tem sido uma estratégia recorrente para manter o consumo, especialmente entre famílias de maior renda. Entre aqueles que recebem mais de dez salários mínimos, o índice de endividamento chegou a 69,9%. As principais dívidas estão concentradas no cartão de crédito, carnês e empréstimos pessoais.

A pesquisa também aponta que 67% dos brasileiros possuem algum tipo de dívida financeira, e 21% estão com pagamentos em atraso. O cartão de crédito aparece como uma das principais fontes de inadimplência, seguido por empréstimos bancários e carnês de lojas.

Além disso, 28% dos entrevistados afirmaram estar com contas de consumo atrasadas, como telefone, energia elétrica e água. O levantamento identifica ainda que 45% da população vive algum nível de restrição financeira, sendo 27% em situação considerada apertada e 18% em condição mais severa.

Os dados refletem um contexto de pressão econômica marcado por fatores como inflação, juros elevados e aumento no custo de vida, que impactam diretamente o poder de compra das famílias e ampliam a dependência do crédito para despesas do dia a dia.


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