Portal O Dia

Irmãos desaparecidos há 8 meses em Bacabal terão apoio da Interpol nas buscas; veja o que se sabe

Os irmãos Ágatha Isabelly, de 6 anos, e Allan Michael, de 4, desaparecidos há oito meses em Bacabal, no Maranhão, podem passar a ser procurados também com apoio de ferramentas de cooperação internacional. A Interpol colocou os recursos à disposição da família, segundo a advogada Nathaly Moraes, que representa Clarice Cardoso, mãe das crianças. A medida poderá ser utilizada caso surjam informações que indiquem que os irmãos estejam fora do Brasil.

Reprodução/redes sociais
Irmãos desaparecidos há 8 meses em Bacabal terão apoio da Interpol nas buscas; veja o que se sabe

A mãe das crianças, Clarice Cardoso deve se reunir nesta quarta-feira (9) com representantes do Núcleo de Cooperação Internacional da Polícia Federal, em São Luís. O encontro deve esclarecer como os mecanismos oferecidos pela organização internacional poderão ser aplicados ao caso e quais medidas poderão ser adotadas durante as buscas.

A advogada Nathaly Moraes afirmou que o contato com o Núcleo de Cooperação Internacional ocorreu agora, oito meses após o desaparecimento. Segundo ela, a possibilidade de utilizar mecanismos da Interpol amplia os recursos disponíveis para localizar os irmãos.

“Hoje nós recebemos o apoio, recebemos o e-mail e o apoio do Núcleo de Cooperação Internacional, colocando as ferramentas da Interpol para nos ajudar. Até então, durante todo esse período, nós não tínhamos esse apoio”, declarou Nathaly Moraes.

Reprodução
Ágata Isabelle e Allan Michael estão desaparecidos em Bacabal desde o dia 04 de janeiro

A representante da família também explicou que os mecanismos podem ser utilizados em buscas fora do país e em uma eventual repatriação, caso as crianças sejam localizadas no exterior. Segundo a advogada, a reunião com a Polícia Federal deverá definir como essas ferramentas serão utilizadas no caso.

“Eles têm essa possibilidade em 197 países. A Clarice está vindo para cá, para a capital, amanhã, e nós vamos nos encontrar diretamente na sede da Polícia Federal para ter esse alinhamento com o Núcleo de Cooperação Internacional e entender como essas ferramentas da Interpol vão nos ajudar”, disse.

O apoio da Interpol não significa que Ágatha e Allan tenham sido encontrados. Também não há indicação de que os irmãos estejam entre as 163 crianças localizadas recentemente durante uma operação nos Estados Unidos

Qual é a relação entre o desaparecimento dos irmãos de Bacabal e a operação nos EUA?

Ágatha e Allan desapareceram em 4 de janeiro de 2026, em uma comunidade quilombola de Bacabal, no Maranhão. Um primo dos irmãos, de 8 anos, foi encontrado com vida três dias depois. As buscas mobilizaram cerca de 2 mil pessoas na região, e a Secretaria de Segurança Pública informou que os trabalhos continuam sob segredo de Justiça.

Reprodução/redes sociais
Primo conta como se separou de crianças desaparecidas em Bacabal

A operação realizada nos Estados Unidos passou a ser mencionada no caso após autoridades norte-americanas anunciarem, no fim de agosto, o resgate de 163 crianças durante uma ação de cinco dias. Os menores tinham entre dois meses e 17 anos e foram localizados na Flórida, em outros estados norte-americanos, em Porto Rico e em 12 países, incluindo o Brasil.

A operação, chamada Operation Statewide Shield, foi conduzida pelo Departamento de Aplicação da Lei da Flórida (FDLE). Segundo as autoridades, as equipes utilizaram informações de inteligência em tempo real e ações de campo para localizar crianças desaparecidas e encaminhá-las a serviços de proteção e atendimento.

De acordo com o gabinete do procurador-geral da Flórida, James Uthmeier, parte das crianças encontradas estava envolvida em casos de abuso, negligência, exploração ou outras atividades criminosas, incluindo ocorrências relacionadas a tráfico humano.

A maior parte dos resgates ocorreu na Flórida, com registros em Tampa Bay, Miami, Jacksonville, Orlando, Fort Myers, Pensacola e Tallahassee. A operação também alcançou outros estados norte-americanos e Porto Rico. Fora dos Estados Unidos, crianças relacionadas aos casos foram localizadas no Brasil, Canadá, Colômbia, República Dominicana, Finlândia, Gana, Guatemala, Itália, Jamaica, México, Espanha e Taiwan. 

A operação também terminou com prisões de suspeitos investigados por crimes envolvendo menores e casos de custódia. O governo da Flórida classificou a ação como a maior operação de recuperação de crianças desaparecidas já realizada no estado.