O Piauí historicamente convive com uma contradição no campo cultural: produz artistas originais, mas muitas vezes demora a reconhecê-los. É nesse cenário que Getúlio Abelha surge como um dos nomes mais singulares da música brasileira recente. O cantor e performer piauiense acaba de lançar “Autópsia+”, seu novo álbum, que amplia o universo sonoro do EP “Autópsia”, lançado no início de 2025, agora com cinco faixas inéditas. O trabalho reforça sua posição como uma das principais referências do chamado forró LGBTQIA+, movimento em que ele mistura tradição nordestina, estética pop e performance.
Mesmo com circulação crescente pelo país, o artista ainda relata a dificuldade de se apresentar com frequência em sua própria cidade. Em duas apresentações acompanhadas pela reportagem, Getúlio Abelha comentou a escassez de oportunidades para shows em Teresina, apesar de já ter se apresentado em diferentes regiões do Brasil. No novo trabalho, essa relação com a terra natal aparece de forma direta na faixa “Zé Pinguelo”, uma referência ao cantor, apresentador e locutor piauiense.
“Autópsia+” integra composições lançadas pelo artista nos últimos anos. Faixas como “Ranço” (2023) e “Caranguejeira Satanista”, presente em seu primeiro álbum, ajudam a compor o universo sonoro do novo trabalho. Entre as novidades do disco estão “A cova”, “Brincadeira do ossinho”, “Espantalho” e “O corte”, que mantêm o tom irreverente e performático característico de seu trabalho.
Depois de deixar Teresina, Getúlio Abelha passou a ganhar maior projeção artística em Fortaleza, cidade onde consolidou parte de sua carreira e ampliou sua circulação no cenário musical nacional. Um exemplo dessa fase é o clipe “Laricado”, gravado no Mercado Municipal da capital cearense. Somente no YouTube, o vídeo ultrapassa 500 mil visualizações e reúne referências que vão da cultura pop internacional, como Lady Gaga e David Bowie, até o universo do forró eletrônico, especialmente a banda Calcinha Preta.
A trajetória do artista também inclui colaborações com nomes importantes da música brasileira contemporânea. Getúlio Abelha já participou de feats com Aretuza Lovi, Pabllo Vittar, Potyguara Bardô e o grupo Teto Preto, ampliando sua presença na cena pop alternativa do país. Uma de suas músicas “Ilusão”, também integrou a trilha sonora da série “Cangaço Novo” (2023), produção original da Amazon Prime Video.
Getúlio tem como referência, Paulinha Abelha, uma das vocalistas mais marcantes da Calcinha Preta, inspiração assumida em seu imaginário e em seu nome artístico. O resultado é uma mistura de forró, performance, humor e teatralidade que transforma elementos da cultura popular nordestina em uma linguagem contemporânea.
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A produção musical de “Autópsia+” é assinada por Glhrmee, com coprodução do próprio Getúlio Abelha. O cantor atualmente mora em São Paulo, após uma temporada de anos em Fortaleza, cidades que ajudaram a ampliar o alcance de um trabalho que vem conquistando espaço em diferentes regiões do país.
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