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Aos 78 e aos 21 anos, Júlio César (PI) e Ana Elisa (MG) simbolizam extremos das eleições de 2026

As eleições de 2026 colocaram lado a lado duas gerações muito diferentes da política brasileira. De um lado, Júlio César, o Julim do Lula (PSD-PI), de 78 anos, que exerce mandatos desde a década de 1990, foi o senador eleito mais velho do país. Do outro, Ana Elisa Santos Silva (PT-MG), de 21, em seu primeiro cargo político, chega à Câmara dos Deputados como uma das mais jovens eleitas desse domingo (4).

Júlio César tem uma trajetória construída ao longo de décadas na política. Deputado federal, ele foi eleito para o seu primeiro mandato na Câmara dos Deputados em 1995 e também já foi prefeito de Guadalupe, no interior do Piauí. Voltou a ser eleito como deputado federal em 2003 e ocupa cadeira na casa com mandatos sucessivos desde então.

Reprodução/Ricardo Stuckert, Reprodução/Instagram
Aos 78 e aos 21 anos, Júlio César (PI) e Ana Elisa (MG) simbolizam extremos das eleições de 2026

Agora, aos 78 anos, o veterano amplia essa trajetória com uma cadeira no Senado. Um de seus filhos, Georgiano Neto, foi eleito deputado federal com o maior número de votos do Piauí em 2026. Julio Cesar Filho também garantiu vitória com deputado estadual.

A idade de Júlio César faz dele o mais velho senador eleito em 2026. No conjunto dos cargos disputados, porém, o eleito não foi o candidato mais velho a conquistar uma vaga. A liderança ficou com Luiza Erundina (PSOL-SP), de 91 anos, eleita deputada estadual.

A lista dos mais velhos também reúne nomes conhecidos da política brasileira. Zé Teixeira (PL-MS), de 86 anos, Eduardo Suplicy (PT-SP), de 85, Londres Machado (PP-MS), de 84, e Barros Munhoz (PSD-SP), de 81, completam os cinco eleitos mais velhos.

Na outra ponte de um espectro em constante mudança está a novata Ana Elisa. Aos 21 anos, a mineira de Divinópolis foi a deputada federal mais jovem eleita em Minas Gerais. Negra, estudante de Direito, estagiária e influenciadora digital, ela construiu a campanha principalmente nas redes sociais e chega à eleição com 1,9 milhão de seguidores em uma única plataforma.

Sua atuação digital está diretamente ligada aos temas que defende. Entre as propostas apresentadas durante a campanha estão cotas raciais, combate ao racismo e à desinformação, passe livre universitário intermunicipal, fortalecimento do ensino público, políticas para o primeiro emprego e o fim da escala 6x1.

Uma geração que chegou pelas redes

O fenômeno não se limita a Ana Elisa. A presença digital apareceu com força entre os jovens eleitos em 2026, especialmente entre candidatos que já possuíam grandes audiências nas redes sociais. Ainda assim, seguidores não se convertem automaticamente em votos, já que a influência digital não determina onde está o eleitorado.

Alvinho Lira (PP-AL), de 20 anos, tornou-se o deputado federal eleito mais jovem da história do país. Filho do ex-presidente da Câmara Arthur Lira, ele completará 21 anos em 17 de março de 2027, depois da posse, marcada para 1º de fevereiro.

A mudança na regra de idade permitiu a eleição de Alvinho. A Lei 15.230/2025 passou a assegurar aos eleitos até 90 dias após a eleição da Mesa Diretora da Câmara para completar a idade mínima exigida para o cargo.

Entre os cinco mais jovens também estão Sandro Filho (PP-BA), de 21 anos, Natália do Júnior Garimpeiro (União-MA), de 21, e Tulio Rezende (MDB-MA), de 22.

O avanço de candidatos jovens, porém, não significa que o eleitorado brasileiro tenha ficado mais jovem. Segundo o TSE, a parcela de eleitores entre 21 e 34 anos caiu de 28,01% em 2022 para 25,85% em 2026. Já os eleitores com 60 anos ou mais passaram de 21,02% para 23,60%.

No mesmo Congresso que receberá um político de 78 anos com décadas de vida pública, uma nova geração chega falando uma linguagem que não nasceu nos palanques, mas nas telas. Ana Elisa fez das redes sociais o centro de sua campanha, enquanto Júlio César construiu sua trajetória quando a internet ainda não fazia parte da disputa eleitoral. Entre os dois, há 57 anos de diferença e duas maneiras distintas de fazer política.

A eleição de 2026 não produz apenas uma lista de nomes mais jovens ou mais velhos. O resultado colocou, no mesmo resultado eleitoral, políticos formados em épocas completamente diferentes. Enquanto Júlio César leva ao Senado uma carreira iniciada no século passado, Ana Elisa chega à Câmara aos 21 anos, em um cenário no qual presença digital, alcance e comunicação direta com o eleitor passaram a ocupar espaço cada vez maior na disputa.