O Dia Esportes
WhatsApp Facebook x Telegram Messenger LinkedIn E-mail Gmail

Maioria dos times de futebol do Piauí não possui registro de marca no INPI

Levantamento do O Dia junto ao Instituto Nacional da Propriedade Industrial mostra que das 14 equipes profissionais que estão nas séries A e B do Piauiense em 2026, 10 não têm registro de marca.

26/09/2026 às 16h33

26/09/2026 às 16h33

A maioria dos clubes profissionais que estão em atividade em 2026 não possui registro de suas marcas no Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI). Levantamento realizado pelo O Dia na base de dados do órgão federal aponta que, das 14 equipes que participam (ou participaram) das Séries A e B do Estadual neste ano, 10 não possuem registro de marca identificado. (Ver lista abaixo)

Apenas três clubes - 4 de Julho, River e Teresina - possuem registro de marca no INPI. O Atlético Piauiense fez solicitação e aguarda deferimento. O registro de uma marca é uma ferramenta de proteção da identidade de uma instituição. De acordo com o INPI, a proteção concedida ao titular garante o direito de uso exclusivo da marca em todo o território nacional, dentro do ramo de atividade correspondente. O registro dura por 10 anos e pode ser renovado por períodos iguais e sucessivos.

Maioria dos times de futebol do Piauí não possui registro de marca no INPI - (Reprodução) Reprodução
Maioria dos times de futebol do Piauí não possui registro de marca no INPI

Para o advogado Flávio Soares Silva, mestrando em Propriedade Intelectual pela Universidade Federal do Piauí (UFPI), a marca funciona como um elemento de identificação e possui valor que vai além da relação afetiva construída com os torcedores. "A marca é um signo, composto por simbolos que conseguem facilitar a identificação de produtos e serviços. Ela estabelece uma relação entre uma empresa e aquele que é o seu titular. Têm marcas de celular, por exemplo, ao escutar o nome você já lembra da fabricante e do produto".

A marca tem proteção legal por meio da Lei de Propriedade Industrial, a Lei nº 9.279/1996. Para os clubes de futebol, além do valor simbólico e afetivo construído ao longo da história, a marca também pode representar um ativo financeiro. Na avaliação do especialista, a ausência do registro pode representar uma dificuldade para os clubes que pretendem transformar a própria identidade em fonte de receita.

Maioria dos times de futebol do Piauí não possui registro de marca no INPI - (Assis Fernandes / O DIA) Assis Fernandes / O DIA
Maioria dos times de futebol do Piauí não possui registro de marca no INPI

Por meio do registro, o clube protege sua marca e pode fazer contratos de licenciamento para explorar comercialmente o nome e os símbolos da equipe.

"Você vê garrafas térmicas, camisas, broches nas lojas oficiais... Tudo isso nada mais é do que a proteção da marca pelo time. Pra você vender uma camisa, uma capa de celular com a logo do time, você tem que ter uma autorização do clube e ter a marca protegida. O registro de marca vira uma receita para o time e um ativo para atração de investimentos", explica Dr. Flávio Soares.

A proteção também é importante para que o titular possa tomar medidas contra o uso não autorizado da marca. Para se ter segurança jurídica de reclamar e suspender venda ilegal de produtos, o clube precisa ter o registro da marca.

Lista dos clubes do Piauí que possuem ou não marca registrada segundo o INPI:

Times que disputaram a Série A 2026:

Altos — Não foi encontrado nenhum registro da marca no INPI.

Atlético Piauiense — Solicitado registro de marca e aguardando manifestação sobre oposição — Marca nº 934095639.

Corisabbá — Não foi encontrado nenhum registro da marca no INPI.

Fluminense-PI — Não foi encontrado nenhum registro da marca no INPI.

Oeirense — Não foi encontrado nenhum registro da marca no INPI.

Parnahyba — Não foi encontrado nenhum registro da marca no INPI.

Piauí EC — Não foi encontrado nenhum registro da marca no INPI.

Teresina EC — Registro de marca em vigor até 2032 — Marca nº 922749523.

Times que estão na Série B 2026:

River — Registro de marca em vigor até 2028 — Marca nº 904457087.

Flamengo-PI — Não foi encontrado o registro da marca no INPI.

4 de Julho — Registro de marca em vigor até 2034 — Marca nº 929151542.

Picos — Não foi encontrado nenhum registro da marca no INPI.

Comercial — Não foi encontrado nenhum registro da marca no INPI.

Caiçara — Não foi encontrado o registro da marca no INPI.

Flamengo-PI, Fluminense-PI, River... Registrar clubes com nomes "copiados" pode ser mais complicado?

O Piauí tem muitos clubes com nomes que fazem referência a clubes do Rio de Janeiro, muito por conta da grande influência do futebol carioca no Estado, especialmente nas décadas de 1950 e 1960, quando emissoras do Rio de Janeiro passaram a ter forte influência no Piauí com a transmissão do Campeonato Carioca.

A utilização de nomes semelhantes aos de clubes tradicionais (Flamengo, Fluminense, Botafogo) também pode levantar discussões relacionadas à propriedade intelectual. O especialista faz uma divisão entre os clubes mais antigos, como o Flamengo-PI, e os mais novos, considerando as mudanças na legislação. Clubes que foram registrados antes da lei de Propriedade Industrial podem ter uma situação jurídica diferente daqueles criados posteriormente. Sobre o caso do Flamengo-PI e outros clubes com nomes semelhantes aos de equipes tradicionais, Flávio Soares afirma:

"O Flamengo-PI por exemplo é uma marca consolidada, digamos assim, mesmo com a existência do Flamengo carioca (clube piauiense surgiu em 1937, muito antes da Lei de Propriedade Industrial). Agora eu entendo que novos times que utilizam o nome de times mais tradicionais podem sim ter implicações jurídicas caso esses times procurem impedir o uso da marca. Existe a Lei Pelé, que pode ser utilizada como um fundamento jurídico em uma possível ação judicial. Mas se esse time tiver registro no INPI, aí se torna mais fácil esse questionamento".

Advogado explica que clubes com nomes de outros times com mais expressão podem sofrer com problemas jurídicos. - (Assis Fernandes / O DIA) Assis Fernandes / O DIA
Advogado explica que clubes com nomes de outros times com mais expressão podem sofrer com problemas jurídicos.

O custo para registrar uma marca varia de acordo com o serviço solicitado, a quantidade de classes e a existência de descontos previstos pelo INPI. A tabela de retribuições do instituto estabelece valores diferentes para pedidos com especificação pré-aprovada ou livre, além de descontos para determinados públicos.

Para Flávio Soares, o principal obstáculo para os clubes piauienses não seria necessariamente o custo. "Eu entendo que a ausência de registros de clubes de futebol no INPI está mais atrelada a falta de gestão do que valor financeiro", afirma o especialista.

A recomendação do especialista é que a propriedade intelectual passe a fazer parte do planejamento dos clubes, especialmente daqueles que pretendem ampliar suas receitas por meio da comercialização de produtos e serviços relacionados à marca. A orientação é fazer um modelo de gestão que priorize o registro de marca para exploração econômica através de contratos de licenciamento.

Com o registro, o nome, o escudo e outros elementos que identificam o clube podem ser utilizados dentro de uma estratégia comercial estruturada, transformando a marca em um ativo da instituição e ampliando as possibilidades de geração de receita.

VOLTAR AO Portal O Dia - Notícias do Piauí, Teresina, Brasil e mundo