Disciplina, talento e um propósito que vai além das competições. Aos 8 anos, Maria Rita Fortes já é considerada uma das promessas do karatê infantil. O currículo impressiona: são 20 medalhas de ouro, cinco de prata e duas de bronze, sendo seis conquistas em competições de nível nacional.
Mas, por trás dos números, há uma menina que enxerga o esporte como ferramenta de proteção, cuidado e transformação. Ao explicar por que escolheu o karatê, ela revela um olhar que vai além da prática esportiva: "É porque é uma luta que eu posso usar para proteger a minha família, proteger todos os meus amigos que eu boto no meu coração".
A fala simples carrega a essência de quem, mesmo tão jovem, já associa o esporte a valores como responsabilidade e afeto. Essa maturidade também aparece quando ela relembra suas conquistas. Entre tantas medalhas, uma tem lugar especial. "Das minhas medalhas, a que mais gostei foi a da CBK (Confederação Brasileira de Karatê). Foi a mais marcante porque nesse dia eu ganhei o brasileiro", disse.
Apesar da pouca idade, a rotina da atleta é intensa, e organizada com disciplina. Maria Rita divide o tempo entre escola, reforço escolar e treinos quase diários. "Eu acordo de manhã e vou para a escola, aí depois que eu chego em casa, vou para o reforço. Às cinco horas eu vou para o karatê e no outro dia é natação. Eu gosto de esportes", conta.
A agenda cheia não impede que ela sonhe alto também fora do esporte. Inspirada pela irmã, que atua na área da saúde, Maria Rita já projeta o futuro com clareza. Ela quer seguir carreira na medicina, mas sem abandonar o karatê. Em seus planos, as duas paixões caminham juntas, assim como o desejo de retribuir o apoio familiar.
Além da rotina de estudos e treinos, a jovem atleta também participa de ações solidárias. A iniciativa surgiu dentro da própria família, a partir de um projeto criado pelo pai. Com o tempo, o grupo cresceu e hoje mobiliza voluntários na distribuição de refeições para pessoas em situação de vulnerabilidade.
Maria Rita participa ativamente dessas ações, ajudando a entregar as chamadas “quentinhas solidárias”. A experiência, segundo ela, é marcante não apenas pela ação em si, mas pelo sentimento que gera. Ela relata que se sente bem por poder ajudar outras pessoas, especialmente crianças que enfrentam a fome.
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Dedicação que inspira dentro de casa
O principal incentivador dessa trajetória é o pai, Carlos Fortes, que acompanha de perto cada passo da filha, dentro e fora dos tatames. Ele descreve a rotina da menina como intensa e, ao mesmo tempo, admirável.
“É uma dedicação integral. Eu até admiro essa energia que ela tem”, afirma. Ele conta que os dias começam cedo e terminam tarde, com treinos que podem se estender até a noite. Entre escola, reforço, karatê e natação, a agenda exige não apenas disciplina da filha, mas também fôlego de quem a acompanha. Em tom bem-humorado, ele comenta que quem realmente se cansa é ele, aos 65 anos.
Mais do que os resultados esportivos, o pai destaca o impacto da filha em sua própria vida. “Pra mim é emocionante demais, porque essa menina foi um presente que Deus me deu. Eu costumo dizer que Maria Rita nasceu de mim, e eu renasci com Maria Rita”, declara.
Carlos explica que a prioridade da família não está apenas nas medalhas. A educação é tratada como base principal, enquanto o esporte aparece como complemento fundamental para o desenvolvimento físico e emocional. Ele investe na formação escolar da filha para que, no futuro, ela tenha liberdade de escolha, seja no esporte, na medicina ou em qualquer outro caminho que decidir seguir.
Segundo ele, o karatê contribui não apenas para o desempenho competitivo, mas também para a construção de valores como disciplina, respeito e equilíbrio emocional.
Promessa que já é realidade
A história de Maria Rita Fortes mostra que, mesmo na infância, é possível conciliar talento, dedicação e propósito. Com resultados expressivos em competições nacionais e uma rotina que exige comprometimento diário, ela já desponta como um nome a ser acompanhado no esporte.
Ao mesmo tempo, sua atuação em ações solidárias e o sonho de seguir na medicina revelam uma formação que vai além do tatame. Entre golpes, estudos e gestos de empatia, Maria Rita constrói, desde cedo, uma trajetória que une conquista e consciência.
Se depender da disciplina que já demonstra e do apoio que recebe, o futuro promete ser tão vitorioso quanto o presente, dentro e fora das competições.
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