Maior pontuador da história do basquete mundial e um dos principais nomes do esporte brasileiro, Oscar Schmidt morreu nesta sexta-feira (17), aos 66 anos. O ídolo esteve em solo piauiense pela última vez em 2024, quando participou de um evento institucional em Teresina. Na oportunidade, o "Mão Santa" falou sobre sua trajetória e sobre o futuro do basquete brasileiro.
A visita à capital piauiense, promovida pelo Tribunal de Justiça do Piauí, teve como destaque a palestra “A Conquista do Impossível”, na qual o ex-atleta ainda compartilhou experiências acumuladas ao longo da carreira.
Durante o encontro, realizado em maio de 2024, Oscar também comentou a situação da seleção masculina de basquete, que ainda buscava vaga nos Jogos Olímpicos de Paris. Na ocasião, o Brasil tinha pela frente o Pré-Olímpico de Riga, última oportunidade de classificação para o torneio. O ex-jogador demonstrou ceticismo quanto ao desempenho da equipe e fez uma análise crítica do cenário nacional.
“O Brasil não vai surpreender ninguém. Pode ser que nem se classifique. E vai ser uma dor danada se não se classificar para as Olimpíadas. Vou torcer muito para o Brasil, mas não creio que vão se classificar”, afirmou.
Aquela era uma fase decisiva para o basquete brasileiro. A seleção masculina ainda buscava garantir presença em Paris 2024, enquanto outras modalidades já tinham destinos definidos. A equipe feminina havia sido eliminada em fevereiro, após três derrotas no Pré-Olímpico, e o time de 3×3 também não conseguiu vaga para os Jogos.
No mesmo evento em Teresina, Oscar comentou ainda questões ligadas à condução da seleção masculina, citando mudanças recentes no comando técnico. À época, o time havia passado pela saída de Gustavo Conti, o Gustavinho, substituído às vésperas da competição, e pela volta do treinador Aleksandar Petrovic, que já havia comandado a equipe entre 2017 e 2021.
Conhecido por opiniões diretas, o “Mão Santa” também relembrou episódios de sua visão sobre a gestão da seleção em competições internacionais, incluindo uma crítica a decisões ocorridas no Mundial da China, em 2019.
"Botaram um cara que foi expulso na China. Entrou dentro da quadra para desconversar com o juiz. Meu amigo, se você entrar dentro da quadra, você vai ser expulso. Ele entrou e foi expulso", disparou.
Durante a apresentação, o multicampeão revisitou um dos episódios mais emblemáticos do esporte brasileiro: a vitória da Seleção Brasileira de Basquete sobre os Estados Unidos nos Jogos Pan-Americanos de 1987.
O triunfo, considerado improvável à época, é lembrado como um dos maiores feitos da história do esporte nacional. A seleção norte-americana, que jogava em casa, em Indianápolis, chegou à final invicta e embalada por uma sequência de 34 vitórias em competições oficiais, sendo ampla favorita ao ouro.
No intervalo da decisão, o placar era de 68 a 54 para os Estados Unidos. No entanto, a equipe brasileira conseguiu uma virada histórica, fechando o jogo em 120 a 115. O time contava com nomes como Marcel, Gerson e Israel, e teve em Oscar um dos protagonistas da reação, com sete arremessos de três pontos convertidos no segundo tempo.
“Esporte é feito de resultados. O que vale é vencer. E o segredo para ganharmos aquela competição foi: cada um sabia o seu papel. E cada um fez seu papel”, disse o ex-atleta à plateia formada por magistrados, servidores e convidados do TJ-PI, ao destacar a importância do trabalho em equipe.
Ao longo da palestra, Oscar apresentou vídeos, imagens e relatos de diferentes momentos da carreira, abordando também os pilares que, segundo ele, sustentam o sucesso: sonho, treino, obstinação, time e paixão.
O ex-jogador reforçou ainda a importância da preparação contínua. “Não é possível uma pessoa ter vencido sem treinar”, afirmou. Em outro momento, completou: “O impossível só vira realidade se você estiver bem preparado quando a chance aparecer”.
Oscar também relatou desafios fora das quadras, como a vida familiar e a superação de um câncer enfrentado entre 2011 e 2013, destacando aspectos pessoais que, segundo ele, também fazem parte da construção de sua trajetória.
Ao final do encontro, o então presidente do TJ-PI, desembargador Hilo de Almeida, destacou o impacto da apresentação. “Estamos todos impactados. Aqui, todos lhe conhecem. Aliás, o mundo lhe conhece. Com certeza, a maioria é de fãs seus. Mas, hoje, essa admiração cresceu, ao assistirmos a esse relato tão inspirador. Todos traremos esses ensinamentos para o nosso cotidiano, junto a nossas famílias, e, principalmente, em nossas atividades profissionais”, afirmou.
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Despedida reservada
Oscar Schmidt foi cremado na noite de sexta-feira (17), em São Paulo, em cerimônia restrita a familiares e amigos próximos. Em nota divulgada nas redes sociais, a família agradeceu as manifestações de apoio e pediu respeito à privacidade durante o luto.
O corpo deixou o Hospital e Maternidade Municipal Santa Ana vestido com a camisa da Seleção Brasileira de Basquete, atendendo a um pedido do ex-atleta.
Segundo a prefeitura de Santana de Parnaíba, ele passou mal em casa e foi socorrido já em parada cardiorrespiratória, chegando sem vida à unidade de saúde. Oscar enfrentava um câncer no cérebro diagnosticado em 2011 e também havia sido diagnosticado com arritmia cardíaca anos depois.
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