A presença do Suriname na repescagem da Copa do Mundo de 2026 e a classificação inédita de Curaçao ajudam a trazer de volta uma história pouco lembrada do futebol piauiense. Em 2008, o Flamengo do Piauí esteve no Caribe para disputar um torneio internacional e enfrentou justamente a seleção surinamesa, hoje a um passo do Mundial.
A competição foi realizada em Willemstad, capital de Curaçao, que à época ainda integrava as Antilhas Holandesas, território que foi dissolvido em 2010. Um dos palcos dos jogos foi o Estádio Ergilio Hato, lugar que a seleção local mandou seus jogos nas Eliminatórias da América do Norte e Caribe. O Mais Querido, no entanto, não enfrentou Curaçao, mas atuou no país que agora estará na Copa.
O torneio reuniu seleções e clubes da Holanda. O convite ao time piauiense partiu de uma empresa holandesa ligada ao evento, com intermediação do ex-goleiro Paulo César, que atuava no empreendimento com sede na Europa. O torneio permitiu que o Flamengo do Piauí fosse a campo contra uma seleção principal e um time da elite da Holandesa.
O primeiro jogo foi contra FC Groningen, campeão do torneio e que no mesmo ano terminou entre os primeiros colocados do campeonato holandês, em que o Mais Querido saiu com derrota por 3 a 0. Depois veio o confronto com o Suriname. O empate sem gols levou a decisão para os pênaltis, vencidos pelo Flamengo. No reencontro, já valendo o terceiro lugar, o time piauiense venceu por 2 a 0 e ficou com a taça.
Quase 20 anos depois, o mesmo Suriname passa a ter destaque ao disputar uma vaga inédita na Copa. O cenário dá outro peso àquela participação, com um clube do futebol piauiense enfrentando uma seleção que hoje, pode entrar no maior torneio de seleções, em que disputa a Repescagem da Copa do Mundo, na próxima quinta-feira (26), contra a Bolívia.
Apesar disso, o episódio praticamente não teve registro. Há poucas informações disponíveis, inclusive fora do país. Não há quase fotos do torneio e os registros se resumem a tabelas e relatos. Um dos poucos vídeos encontrados mostra o primeiro jogo contra o Suriname.
Para o jornalista e historiador Severino Filho, essa ausência também reflete a falta de estrutura dos clubes locais para registrar sua própria história. “O Flamengo dessa época era assim, por tal motivo não temos esses registros”, disse.
Quem esteve lá guarda as memórias. Jankel Costa, que fazia parte da comissão técnica, relembra detalhes da experiência fora do país. “No estádio em Curaçao, foi a primeira vez que vimos gramado sintético, cerveja à vontade na arquibancada. Gatorade patrocinador, deram bolsas, e contêiner para seu Raí, ao final churrasco de carne de porco com molho agridoce, tivemos que arrumar sal, comer porco doce não é mole não”
Ele também lembra do ambiente fora de campo e da repercussão do time na cidade que muitos achavam ser o Rubro-Negro Carioca. “Foi uma grande festa, bons tempos do nosso Mengo. Hotel 5 estrelas do lado de um Casino, pena não termos grana para arriscar, mas a entrada era gratuita, eu, Everaldo, Filho e o Paulo aproveitamos”
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Segundo Jankel, a passagem pelo torneio abriu portas que quase mudaram o rumo de alguns jogadores do elenco. Houve a possibilidade de atletas permanecerem no exterior após a competição, dentro de um convênio que chegou a ser articulado com centros de treinamento na Holanda, mas as negociações não avançaram.
O que passou quase despercebido em 2008 ganha outro significado agora. Entre Curaçao garantido na Copa e o Suriname na disputa por uma vaga, aquela participação do Flamengo do Piauí retoma conectando o futebol do Piauí a Copa do Mundo nos Estados Unidos, Canadá e México.
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