A UEFA (União das Associações Europeias de Futebol) anunciou, nesta quinta-feira (30), que boicotará as competições organizadas pela Fifa caso seja mantida a proposta de criar uma empresa privada para administrar as competições e as operações comerciais da entidade. Com isso, as 55 federações filiadas à confederação europeia não participarão de torneios promovidos pela entidade máxima do futebol enquanto o projeto permanecer em discussão.
A proposta foi apresentada pela Fifa na última terça-feira (28) e prevê a criação de uma empresa privada responsável pela comercialização e pela gestão de todas as competições da entidade. O objetivo é atrair investidores e captar cerca de US$ 4,2 bilhões, valor que, segundo a Fifa, seria reinvestido no desenvolvimento do futebol em âmbito global. A iniciativa, porém, foi rejeitada pela UEFA, que questionou a falta de transparência sobre a estrutura do projeto e os benefícios prometidos.
Na quarta-feira (29), o presidente da Fifa, Gianni Infantino, afirmou que a proposta ainda será submetida à votação das 211 associações-membro e do Conselho da entidade antes de uma decisão definitiva.
A UEFA foi a primeira confederação a se posicionar oficialmente contra a iniciativa e, em seguida, recebeu o apoio da Confederação da América do Norte, Central e Caribe (Concacaf) e da Confederação Asiática de Futebol (AFC). Juntas, as três organizações representam 143 das 211 associações filiadas à Fifa, formando ampla maioria entre os membros da entidade.
Em nota oficial, a entidade europeia afirmou que a Copa do Mundo "jamais deve ser entregue a investidores privados" e classificou a proposta como "irresponsável e indefensável". Para a UEFA, o torneio representa um patrimônio construído ao longo de gerações e não pode ser tratado como um ativo financeiro.
O impasse também evidencia um dos maiores embates recentes sobre o modelo de governança do futebol mundial, colocando em lados opostos a estratégia de captação de investimentos defendida pela Fifa e a posição das confederações que temem a privatização de competições consideradas patrimônio do esporte.
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Confira trecho da nota da UEFA
"A UEFA e suas 55 associações-membro estão unidas. Rejeitamos, de forma unânime e inequívoca, a proposta da FIFA de transferir participações na propriedade da Copa do Mundo e de outras competições da FIFA para investidores privados.
A Copa do Mundo não pode ser tratada como um produto de investimento. Ela é um dos maiores legados esportivos do futebol. Foi construída ao longo de gerações por jogadores, seleções nacionais e torcedores de todos os continentes. Nenhuma parte dela deve jamais ser entregue a investidores privados. A Copa do Mundo não está à venda.
É irresponsável e indefensável que uma proposta de tamanha importância para o futebol tenha sido concebida em segredo e levada à iminência de aprovação sem qualquer consulta significativa àqueles encarregados de zelar pelo esporte. Isso não é apenas uma falha profunda de liderança, mas uma abdicação do dever da FIFA como guardiã do futebol mundial.
Associações nacionais de todo o mundo deparam-se agora com um ultimato: aceitar a apropriação irreversível das maiores competições do futebol ou arcar com as consequências. Isso não é uma "decisão democrática", mas uma governança baseada na intimidação — um ato de coerção indigno de uma instituição encarregada de zelar pelo esporte global.
No entanto, nossa oposição vai muito além da questão do processo".