Neymar vai desfalcar a Seleção Brasileira nos amistosos preparatórios para a Copa do Mundo e pode até perder a estreia da equipe na competição. A confirmação veio nesta quinta-feira (28), após o médico da CBF, Rodrigo Lasmar, informar que o atacante sofreu uma lesão muscular de grau 2 na panturrilha direita, quadro considerado mais grave do que a avaliação inicial apontava. Com isso, o camisa 10 está fora das partidas contra Panamá e Egito, marcadas para os dias 31 de maio e 6 de junho.
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O jogador se apresentou à Granja Comary na última quarta-feira (27) e passou por exames médicos complementares, incluindo uma ressonância magnética, que confirmou a lesão. Segundo Lasmar, a avaliação descartou a hipótese inicial de apenas um edema muscular.
“Ele se apresentou ontem na Granja Comary, fez todos os exames médicos complementares e terminou com uma ressonância magnética que identificou uma lesão muscular grau 2 na panturrilha, não apenas um edema”, afirmou o médico em coletiva de imprensa.
A diferença entre edema e lesão muscular interfere diretamente no tempo de recuperação e no tratamento adotado pelo departamento médico da Seleção.
Com o diagnóstico confirmado, Neymar seguirá em tratamento intensivo na Granja Comary. A previsão de retorno às atividades é de duas a três semanas, mas a evolução clínica será monitorada diariamente antes de qualquer liberação.
“O atleta segue em tratamento e nossa expectativa é que, no prazo de duas a três semanas, ele esteja liberado. Estamos avaliando diariamente a evolução do quadro”, explicou Lasmar.
Como surgiu a lesão
A lesão aconteceu no dia 17 de maio, durante a partida entre Santos e Coritiba, pelo Campeonato Brasileiro. Após o jogo, o departamento médico do Santos identificou um edema de dois milímetros na panturrilha direita, e Neymar não voltou a atuar pelo clube desde então.
Na ocasião, Rodrigo Zogaib, coordenador do Núcleo de Saúde do Santos, classificou o quadro como leve, embora destacasse a necessidade de tratamento e controle de carga física.
“A ideia é entregar apto ou quase apto na apresentação da Seleção”, afirmou Zogaib à CNN.
Os exames realizados posteriormente na Granja Comary, porém, apontaram uma lesão muscular mais séria do que a detectada inicialmente.
O que é uma lesão muscular grau 2 na panturrilha
Uma lesão muscular grau 2 na panturrilha é uma ruptura parcial das fibras musculares, mais séria que uma simples distensão (grau 1), mas sem romper o músculo completamente (grau 3). Parte das fibras se rompe, geralmente na junção entre o músculo e o tendão. Há sangramento interno, formando um hematoma local, e o músculo perde força e função temporariamente.
- Sintomas típicos Dor aguda no momento da lesão, inchaço e roxo na região, dificuldade para andar ou ficar na ponta do pé, e sensibilidade intensa ao toque.
Tempo de recuperação Em geral de 3 a 6 semanas, dependendo da extensão do rompimento, da idade, do condicionamento físico e do tratamento seguido.
- Tratamento Nas primeiras 48 horas: gelo, repouso, elevação da perna e compressão (protocolo PRICE). Depois, fisioterapia com fortalecimento progressivo. Em alguns casos, uso de bota ou muleta nas primeiras semanas.
- Risco de retorno precoce Voltar à atividade antes da cicatrização completa aumenta muito o risco de re-lesão ou de evoluir para um grau 3, que pode exigir cirurgia.
Edema muscular x lesão grau 2
O edema muscular é um acúmulo de líquido no tecido, sem ruptura de fibras. É uma resposta inflamatória, não uma destruição estrutural do músculo. Já na lesão grau 2, parte das fibras se rompe, o que muda completamente o quadro clínico e o tempo de recuperação.
No edema, a dor é difusa e em peso, raramente aparece hematoma e a recuperação costuma levar de 1 a 2 semanas sem necessidade de fisioterapia. Na lesão grau 2, a dor é aguda e localizada, o roxo é frequente por causa do sangramento interno, e a recuperação exige de 3 a 6 semanas com acompanhamento fisioterapêutico.
Na prática clínica, os dois quadros podem aparecer juntos, já que a lesão provoca inflamação e acúmulo de líquido na região. Por isso o diagnóstico preciso exige ultrassom ou ressonância magnética: só o exame de imagem confirma se houve ou não ruptura de fibras.
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