O avanço da idade e as mudanças hormonais ao longo da vida feminina estão entre os fatores associados ao desenvolvimento do glaucoma, doença silenciosa e principal causa de cegueira irreversível no mundo. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a condição atinge cerca de 4% da população acima dos 40 anos e pode afetar mais de 111 milhões de pessoas até 2040. Embora estudos indiquem maior incidência em mulheres, especialmente após a menopausa, especialistas ressaltam que a relação hormonal existe, mas não é determinante para o surgimento da doença.
De acordo com o oftalmologista Fernando Costa, o glaucoma tem origem multifatorial e não pode ser atribuído a uma única causa. Ele explica que a maior presença da doença em mulheres está relacionada a diferentes fatores. “Hoje, em termos de porcentagem, observa-se um discreto aumento de casos de glaucoma em mulheres em comparação aos homens. Aproximadamente 55% a 60% dos casos ocorrem em mulheres”, afirma.
O médico destaca ainda o papel do estrogênio como um fator de proteção ao organismo ao longo da vida reprodutiva, com efeitos importantes tanto no sistema cardiovascular quanto no sistema nervoso. “Esse hormônio exerce um papel protetor importante, sendo neuroprotetor e também benéfico ao sistema cardiovascular. Por isso, após a menopausa, observa-se um aumento da incidência de condições como hipertensão arterial e infarto”, explica.
Segundo o especialista, essas mudanças podem intensificar quadros já predispostos, mas não são suficientes para determinar o surgimento da doença. “A relação entre menopausa e glaucoma existe como um fator modulador. A menopausa pode estar associada à intensificação de um quadro em pacientes já predispostos ao glaucoma. Ou seja, uma mulher com predisposição pode apresentar uma manifestação mais precoce ou uma progressão mais acentuada do quadro, especialmente em casos de menopausa precoce”, diz Fernando Costa.
Apesar de não ter cura, o glaucoma pode ser controlado e, em muitos casos, ter sua progressão evitada com acompanhamento regular. Por isso, o diagnóstico precoce é fundamental, destaca o oftalmologista.
O que é glaucoma
O glaucoma é um conjunto de doenças que provocam danos progressivos ao nervo óptico, estrutura responsável por transmitir as informações visuais ao cérebro. Com o comprometimento desse nervo, ocorre perda gradual do campo de visão, inicialmente nas áreas periféricas.
A progressão da doença está, na maioria dos casos, associada ao aumento da pressão intraocular. Esse aumento ocorre quando há acúmulo do humor aquoso, líquido presente no interior do olho, que não é drenado adequadamente. O processo costuma ser silencioso, sem sintomas evidentes nas fases iniciais.
O oftalmologista Fernando Costa explica que a perda visual causada pelo glaucoma é irreversível. “É uma doença degenerativa e progressiva, na qual esse nervo vai sendo danificado ao longo do tempo, perdendo gradualmente sua funcionalidade”, afirma.
Sintomas
O glaucoma pode se manifestar de formas diferentes, dependendo do tipo (principalmente o de ângulo aberto e o de ângulo fechado). Em tópicos, os principais sintomas são:
Glaucoma inicial (geralmente de ângulo aberto):
- Não apresenta sintomas no começo
- Perda gradual da visão periférica (lateral)
- Sensação de “visão em túnel” nos estágios avançados
Glaucoma de ângulo fechado (mais agudo e urgente):
- Dor forte no olho
- Vermelhidão ocular
- Visão embaçada súbita
- Halos coloridos ao redor das luzes
- Dor de cabeça intensa
- Náuseas e vômitos
Sinais gerais em fases avançadas:
- Dificuldade para enxergar em ambientes pouco iluminados
- Redução importante do campo visual
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