O técnico do Flamengo, Filipe Luís, se manifestou na noite desta quinta-feira (19), sobre a acusação de Vini Jr., que afirmou ter sido chamado de macaco no jogo entre Real Madrid e Benfica. Segundo o treinador, o caso do atacante brasileiro foi "isolado" e que não mudou a visão dele sobre a Argentina.
A declaração veio após o rubro-negro perder para o Lanús por 1 a 0 no primeiro jogo da Recopa Sul-Americana. "Sobre isso, sempre fui muito bem tratado, a Argentina me encanta. Sou muito feliz aqui, muito bem recebido. Só tenho boas palavras para a Argentina. Um caso isolado como esse não influencia em nada do que penso sobre este país, que é tão lindo", afirmou o técnico durante entrevista coletiva.
Filipe Luis disse ainda que "é a palavra de um contra a do outro". "Bom, é um tema muito mais delicado do que pensamos, é um assunto que envolve muitas coisas e, para mim, é simples. O rapaz (Prestianni) tapou a boca, não deveria ter tapado a boca para dizer o que precisava dizer, e isso gera toda essa comoção. Agora é a palavra de um contra a do outro, e isso é muito delicado. A verdade é que, se ele disse, tem que pagar, mas é como eu repito: é a palavra de um contra a do outro, e não sou eu quem pode julgar", disse.
Após a repercussão negativa, o técnico do Flamengo se posicionou por meio de nota oficial. Ele reconheceu que suas declarações deram margem para "interpretações distintas" e negou que teve a "intenção de relativizar ou minimizar qualquer atitude racista". Veja a nota ao final da matéria.
Entenda o caso
No dia 17 de fevereiro de 2026, durante o jogo da Champions League entre Benfica e Real Madrid, Vini Jr. abriu o placar com um gol espetacular no Estádio da Luz, mas o clima rapidamente mudou. Após comemorar perto dos torcedores da casa e receber um cartão amarelo, o atacante brasileiro alegou que o jogador Gianluca Prestianni lhe dirigiu um comentário racista, supostamente a palavra “macaco”, enquanto cobria a boca com a camisa. Vini Jr. correu até o árbitro francês François Letexier, que paralisou a partida por cerca de 10 minutos ao acionar o protocolo antirracismo, um procedimento previsto pela FIFA e UEFA para tratar de alegações de abuso discriminatório em campo.
Vini Jr. criticou publicamente o racismo e o uso “covarde” da camisa para ocultar palavras ofensivas, enquanto Prestianni negou ter feito qualquer insulto racista, alegando que houve um mal-entendido e que não houve intenção preconceituosa. A UEFA abriu uma investigação oficial, com possibilidade de suspensão de até 10 partidas se o jogador benfiquista for considerado culpado conforme os regulamentos da competição. A posição do treinador do Benfica, José Mourinho, também foi alvo de críticas por minimizar o caso e sugerir que a celebração de Vini poderia ter provocado a situação, afirmando que seu clube “não é racista”, citando a lenda Eusébio como símbolo histórico negro do clube.
Veja a nota de Filipe Luís:
"Após a partida de ontem contra o Lanús, durante a coletiva de imprensa organizada pela Conmebol, minutos após o fim do jogo, fui questionado por um repórter argentino. Ele iniciou seu raciocínio citando mais um caso de racismo sofrido por Vinícius Júnior, quando me perguntou como o Flamengo foi recebido nas últimas vezes em que esteve no país.
Ao longo da resposta, procurei abordar minhas experiências pessoais na Argentina. Em momento algum tive a intenção de relativizar ou minimizar qualquer atitude racista.
Reconheço que minha fala, diante da extrema sensibilidade do tema, pode ter aberto margem para interpretações distintas. Por isso, considero fundamental reforçar publicamente minha posição, que sempre foi inegociável: o racismo é crime no Brasil e deveria ser tratado com o mesmo rigor em todos os países. Trata-se de uma conduta inaceitável, que deve ser combatida e punida de maneira firme. O futebol, como espaço de diversidade e integração, não pode tolerar qualquer forma de discriminação.
Reforço ainda que, antes da partida, em entrevista exclusiva ao detentor de direitos, expus minha visão sobre o episódio, classificando como covarde a atitude do jogador que tapou a boca para praticar atos racistas. Jamais colocaria em dúvida a palavra da vítima em um caso grave como esse.
Por fim, reitero meu total apoio a Vinícius Júnior em mais um lamentável episódio envolvendo racismo no esporte, algo que já não deveria mais ocorrer, mas que infelizmente ainda se repete e, muitas vezes, passa impune".
Filipe Luís, Técnico do Clube de Regatas do Flamengo
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