O plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) começa a analisar na manhã desta terça-feira (15) se o ministro Alexandre de Moraes pode ser investigado pela suposta relação com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. A Corte terá de decidir se as informações obtidas pela Polícia Federal a partir do celular de Vorcaro podem ser utilizadas em uma eventual apuração envolvendo o ministro.
O caso foi levado ao plenário pelo ministro André Mendonça, antigo relator do caso Master, depois que a PF identificou o contato. As mensagens foram obtidas a partir da quebra do sigilo do celular de Vorcaro, preso em novembro do ano passado.
A apuração integra a Operação Compliance Zero, que investiga suspeitas de fraudes financeiras envolvendo o Banco Master e a tentativa de compra da instituição pelo Banco de Brasília (BRB), banco público ligado ao Governo do Distrito Federal (GDF).
Rito
De acordo com o procedimento definido pelo presidente do STF e novo relator do caso, ministro Edson Fachin. A sessão está marcada para às 10h e será transmitida pela TV Justiça e pela internet.
Em seguida, a secretária da sessão fará a leitura da ata da sessão anterior da Corte, e Fachin vai fazer as saudações de praxe a todos os ministros.
O ministro chamará o processo para julgamento e fará a leitura do relatório do caso. Depois, a palavra será dada à Procuradoria-Geral da República (PGR).
Após a manifestação da procuradoria, a votação será iniciada. O STF não confirmou se Alexandre de Moraes poderá participar da sessão.
O plenário também é composto pelos ministros Cristiano Zanin, Flávio Dino, Nunes Marques, Luiz Fux, Cármen Lúcia e Gilmar Mendes.
A participação de Dias Toffoli também não está confirmada. No início deste ano, Toffoli declarou-se impedido de participar de julgamentos sobre o caso Master após a imprensa revelar que o ministro é dono de um resort que foi comprado por um fundo de investimentos ligado ao banco.
O rito previsto pode ser interrompido por uma questão de ordem, que poderá ser suscitada por qualquer ministro. Além disso, poderá ocorrer um pedido de vista para suspender a deliberação.
Entenda
O caso veio à tona no dia 1° de setembro, quando André Mendonça, antigo relator, retirou o sigilo do caso e encaminhou as conversas para Fachin.
A investigação da PF aponta que Vorcaro trocou cerca de 50 mensagens com um número atribuído a Moraes antes de ser preso, em 17 de novembro do ano passado. O ministro não é relator do caso Master no STF, mas passou a ter contato com o ex-banqueiro após o escritório Barci de Moraes, pertencente à família do magistrado, prestar serviços ao banco.
Em 15 de novembro de 2025, Vorcaro demonstrou preocupação com o avanço das investigações, que ainda tramitavam na primeira instância da Justiça Federal em Brasília. Na conversa, citou o procurador-geral da República, Paulo Gonet, e o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues.
“Não conseguimos reverter isso com Paulo ou Andrei? Muita sacanagem isso. Isso em Brasília?”, escreveu o ex-banqueiro.
Apesar da menção, não há indícios de que Gonet ou Andrei tenham interferido nas apurações. No dia seguinte, Vorcaro citou o juiz Ricardo Leite, então responsável pelas investigações na Justiça Federal, e perguntou sobre a possibilidade de ser preso.
“Você acha que tem chance de isso acontecer amanhã de manhã?”, questionou.
Vorcaro foi preso em 17 de novembro por determinação de Ricardo Leite. Meses depois, o caso foi enviado ao Supremo.
O que dizem Moraes e a PGR
Desde o início da divulgação das conversas, o ministro Alexandre de Moraes não se pronunciou especificamente sobre o conteúdo das mensagens.
Após o envio das conversas para Fachin, Moraes incluiu Mendonça no inquérito das fake news e o acusou de direcionar a investigação contra ele por “motivos políticos”. Em seguida, a inclusão foi desfeita por Fachin.
Durante a tramitação do feito, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, que também foi citado nas mensagens, defendeu a anulação do relatório da PF que encontrou as conversas.
Na manifestação enviada à Corte, Gonet disse que André Mendonça investigou Moraes ilegalmente ao determinar o aprofundamento da investigação sobre o caso Master para esmiuçar as conversas envolvendo o ministro e o ex-banqueiro.
No entendimento do procurador, o aprofundamento da apuração só poderia ocorrer após autorização do plenário da Corte.